“TERRA E PAIXÃO” ALERTA PARA ABUSOS SEXUAIS PRATICADOS POR FAMILIARES EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

“A CRIANÇA OU ADOLESCENTE NÃO CONTA PARA NINGUÉM POR MEDO OU VERGONHA”, EXPLICA A PSICÓLOGA MICHELE BOUVIER
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15.12.2023

Divulgação / TV Globo

Segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil registrou entre 2015 a 2021, mais de 200 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, a maioria das denúncias partiu da própria casa, ou seja, os criminosos integravam a família da vítima. O assunto ganhou notoriedade na noite desta quinta-feira (14), na novela “Terra e Paixão”, onde a personagem Petra (Débora Ozório) é assediada pelo próprio tio (Eriberto Leão) na infância. Como trata-se de um rapaz bonito, carismático e brincalhão, não levantou suspeita para a prática do crime, fato que acontece em milhares de lares brasileiros atualmente.

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“A vítima na trama fez uso ao longo da vida toda de medicamentos antidepressivos, ansiolíticos entre outros, sempre taxada como uma “pessoa problemática”, isso é uma dor invisível carregada de maneira a violentar silenciosamente a vítima ao longo da vida toda, quando não tratada adequadamente. Nada pode ajudar a diminuir estes traumas e dores emocionais do que um bom processo psicoterapêutico. O uso de psicofármacos não retira a dor, ele alivia, e quando o psicotrópico não faz mais efeito, o paciente passa a usar um mais forte, e assim por diante”, explica a psicóloga Michele Bouvier, especialista em violência de gênero e doméstica. 

“A Psicologia vem para trazer estas dores pra fora e ajudar este indivíduo no caminho a ressignificar e dar um novo sentido a sua vida. A cicatriz não vai embora, costumo dizer que a quelóide sempre vai estar ali, mas vai aliviar e vai ajudar este paciente a não se envergonhar mais das cicatrizes. Infelizmente este tipo de violência é absurdamente comum entre meninos, meninas, e independe de classe social. Hoje atuo na área de casal e família, e lhes digo que o índice de casais que tem problemas na relação, vem por traumas de abusos sexuais na infância ou adolescência. Depois de ter trabalhado ao longo das sessões a vida de ambos muda, o peso a dor e muitas vezes a culpa vai embora, e o amor próprio chega”, acrescenta Bouvier.

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Quando o abuso é praticado na fase da infância ou adolescência, as vítimas não contam para ninguém do ocorrido, por medo e até mesmo vergonha, assim como é retratado no folhetim das nove da TV Globo, onde a personagem carrega seus traumas até a vida adulta, e só depois resolve expor os fatos para seus familiares, pois suas convicções estão mais elaboradas em sua mente do que é o correto a se fazer – denunciar.

“Normalmente a criança ou adolescente não conta para ninguém por medo ou vergonha, pois o agressor faz chantagem, ou manipula a vítima para que esta não conte nada, e muitas vezes a violência ocorre repetidamente. Outros momentos quando conta para a mãe ou responsável ainda é culpada, recebendo xingamentos e outras formas de violência psicológica e emocional de volta. Um dos sinais é afastamento do agressor, silêncio e ausência, se esconde no quarto ou se afasta do convívio social, queda em rendimento escolar, entre outros comportamentos, como tornar-se briguento (a) na escola com os amigos, fazer práticas de cutting, tricotilomania, depressão, ansiedade, e transtornos relacionados a práticas sexuais precoces, como forma de aliviar a dor emocional pelo trauma causado”, pontua a psicóloga Michele Bouvier

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A psicologia quando envolvida em casos de abusos sexuais, ou outros tipos de violências com menores de idade, habitualmente atende uma equipe multidisciplinar, onde juntos irão decidir como podem para além da escuta, ajudar e proteger a criança ou adolescente envolvida, quando o adulto responsável se negar a este papel. Isto é previsto no – 245 do ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) que “dispõe que é infração administrativa deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente”. Lei 8.069/90. 

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“O índice de abusos em pessoas de baixa renda é inacreditável, precisamos com a máxima urgência de políticas públicas eficazes para oferecer acompanhamento psicológico para a sociedade e não “Rivotril” liberado como está acontecendo. A Psicologia é a maior arma para a diminuição, quiçá a erradicação da violência na sociedade”, finaliza Bouvier

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