POLE DANCE – SEXY É ESTADO DE ESPÍRITO

A HIPERSEXUALIZAÇÃO DO CORPO DA MULHER FAZ TUDO FICAR MAIS DIFÍCIL, ENFRAQUECE NOSSOS DESEJOS E AUMENTA OS TABUS
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28.05.2021

Divulgação / Reprodução / Netflix

Mulher, você se sente sexy?

Ou se esconde pra não chamar atenção com vergonha por não ser padrão?

Ou se esconde, justamente, porque certas partes do seu corpo chamam mais atenção? 

Sim, certos olhares são violentos! Ninguém se sente bunda e peito. Corpo não reparte, corpo é inteiro, potência e poder

O corpo é sensual, desde um gesto de cabeça até um sorriso que escapa, somos feitas de sensações e ser sensual significa abrir espaços aos sentidos, à vitalidade. Sentir-se viva. 

O pole dance é uma prática dançante que vem aumentando a sua procura principalmente pra quem quer fazer uma atividade física prazerosa e desafiadora, por outro lado, existe um estigma pra quem dança em torno dessa barra, a maioria das praticantes enfrentam preconceitos, julgamentos, comentários machistas e misóginos. Essas críticas se referem basicamente ao papel estereotipado e uma cobrança da mulher na sociedade, e o que ela deve ou não fazer. 

O pole dance é sim uma dança sensual, o que já é incrível, mas não só isso. É uma dança de muitas possibilidades e caminhos, uma dança que trabalha flexibilidade, resistência, confiança, aumenta autoestima e fortalece além dos músculos, a sensação de liberdade. Mulheres que nunca se imaginaram dançando estão se jogando nessa prática. 

Se você vê uma pessoa dançando pole dance e pensa “não é pra mim”, chegue mais perto, e pergunte-se “por que não?”. Pergunte-se mais de uma vez se precisar e aprecie se não quiser dançar, mas não o risque da sua lista de desejos se o que está te balançando é “quando emagrecer eu vou”, “imagina, não tenho corpo pra isso”, “só vou começar quando perder a barriga”, “o que vão pensar?”. Olha, fácil quebrar tabus como esse nem sempre é, mas vamos juntas, aos poucos, ou de vez. Medo e vontade caminham juntos, lado a lado. O pole é pra quem quer!

E PRA VOCÊ, O QUE É SER MULHER?

Não sei você, mas quando vejo uma mulher dançando na barra e criando formas de si, eu vejo um evidenciar pleno da beleza de um corpo que se levanta, que se estica e se sustenta. A força e a flexibilidade experimentada em cada treino, aula ou apresentação é muito mais do que um músculo trabalhando, é um caminho de autoaceitação

Pole Dance: Dança do Poder – documentário original da Netflix, da cineasta indicada ao Oscar, Michèle Ohayon – nos apresenta a coreógrafa e professora de dança Sheila Kelley, fundadora da companhia artística S Factor, e seu trabalho para recuperar a autoestima de diversas mulheres. Com uma equipe 100% feminina, o documentário muda o olhar do senso comum de que essa dança é apenas para agradar quem assiste.

Amy Bond – Documentário Pole Dance: A Dança do Poder – Imagem: Netflix

A hipersexualização do corpo da mulher faz tudo ficar mais difícil, enfraquece nossos desejos e aumenta os tabus. Apelidam nossas genitálias, fazem piadas sexistas, tudo em torno da aparência, às vezes vem disfarçado de elogio, mas na real deprecia o que realmente somos. Para Lorena Trindade, jornalista e mestra em antropologia social, objetificar um corpo é desumanizá-lo. “A aparência das mulheres importa mais do que todos os outros aspectos que as definem enquanto indivíduos. Passamos a enxergar apenas um corpo, ignorando o sujeito que o anima”, explicou Lorena, em entrevista ao Instagram do Parlamento Aberto de Piracicaba, SP.

QUAL O PESO DA (SUA) DANÇA?

Estamos fadadas, desde o nascer, a uma sensualidade pré estabelecida, mas não é esse um modelo a imitar e sim um sentir que vem de si, e essa abertura a faz aflorar. A insegurança que sentimos quando chamamos a atenção para o que não é considerado socialmente aceito e bonito está na forma padrão de corpo dito como sensual.

Ro’Yale – imagem Youtube “Da Queen The Curves”

Ro’Yale, instrutora de pole dance norte americana, também conhecida como Da Queen of Curves diz que “sexy é estado de espírito e que não tem nada a ver com aparência”. Ser é sensual. Sentir-se é sensual. É solo, é por você, é em torno de si mesma, e não precisa de aprovações.

Nota: O pole dance é uma dança também realizada por strippers e é importante falar de seu percurso, crescimento e transformação sem desrespeitar ou desvalorizar a história e a execução de muitas mulheres. 

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