Marcado pela estética dark pop e uma narrativa de vulnerabilidade, o novo single de Lourandes, “Lágrimas de Champanhe”, chega às plataformas digitais consolidando a identidade artística da cantora, compositora e produtora mineira. O lançamento dá continuidade ao projeto “Pra não dizer que não falei de amor”, explorando o contraste entre a euforia das festas e a introspecção melancólica que surge em seu encerramento.
Com uma trajetória sólida no cenário independente, a artista de Belo Horizonte já soma quase 60 milhões de streams (entre Spotify e YouTube), fruto de uma construção autoral que une sonoridades densas a letras confessionais. Em entrevista ao Portal Pepper, Lourandes detalha o conceito de sua nova obra, suas referências estéticas e os desafios de gerir uma carreira independente de alto alcance. Leia na íntegra:
Portal Pepper: Você está lançando o single e clipe “Lágrimas de Champanhe”, que dá continuidade ao projeto “Pra não dizer que não falei de amor”. Como essa música surgiu e qual é o papel dela dentro da narrativa do projeto?
Lourandes: As primeiras quatro músicas eu escrevi muito próximas uma da outra, e no início eu estava muito perdida sobre qual direção estava levando o projeto. Em geral, gosto de trabalhar muito com o que acontece intuitivamente, e depois eu analiso e enxergo melhor. Para mim, ficou muito claro que as músicas que escrevi no início estavam ligadas a um processo de negação, de busca excessiva pela diversão e de fugir de certa responsabilidade. Foi natural que, em algum momento, isso caísse no meu senso e eu criasse uma música que brinca mais com a vulnerabilidade. Assim surgiu “Lágrimas de Champanhe”, e acho que ela marca muito a forma do eu lírico de lidar com suas escolhas.

PP: Você comentou que a música representa um momento em que a personagem deixa de romantizar a situação e começa a encarar as consequências. Como foi trabalhar esse lado mais vulnerável na composição?
Lourandes: Surpreendentemente, essa é uma das partes de que eu mais gosto. Eu entendo e também aprecio o contexto de todas as outras músicas, o papel da trilha sonora dançante, noturna e às vezes até fugindo da realidade, mas quando eu posso trazer no meu trabalho esse senso de “talvez não esteja tão bom quanto eu pensei”, com certeza é uma das partes com que eu mais me divirto. Eu gosto muito de músicas tristes e de reflexões, e “Lágrimas de Champanhe” fica entre esses dois universos. Apesar de ser algo difícil, porque sai de dentro dos meus sentimentos, eu consigo lidar bem com a vulnerabilidade.
PP: Por que você escolheu construir a narrativa desse projeto dessa maneira não linear e com cada música representando um momento da história?
Lourandes: Eu gosto muito da literatura linear, que te faz imergir totalmente na história e te coloca como primeira pessoa, mas acho que no início eu errei com o que eu esperava desse projeto. Essa forma confusa de lidar com os sentimentos não precisa ser linear, e cada música é parte de um processo, algumas voltam e repetem ciclos, e outras libertam a personagem. Eu gosto de colocar um “teto” para o tema, então o projeto em si é sobre traição, mas gosto de ver cada música como uma face que completa a personagem. Atualmente, acho interessante trabalhar assim.

PP: Suas músicas costumam abordar assuntos e sentimentos profundos. Quais temas mais te interessam como compositora hoje?
Lourandes: Tenho pensado muito sobre esse assunto e quero trazer esse tema aos poucos. Obviamente, todas as músicas rodeiam a traição como tema central, mas meu grande interesse hoje em dia é trabalhar a corrupção, criando esse paralelo entre a corrupção dos seus valores, do que você acredita, com a corrupção material. O fim do sonho e o fim do glamour também são temas que me interessam muito. Tenho me aprofundado bastante em artistas americanos que trabalharam isso muito bem antes de mim.
PP: Musicalmente, você parte do dark pop, mas trouxe nesse single mais referências da música eletrônica. Como você enxerga a evolução da sua sonoridade ao longo dos seus últimos lançamentos?
Lourandes: Quando eu viralizei, foi muito difícil explicar para as pessoas em qual categoria minha música se encaixava, mas quando eu divulguei como dark pop, as pessoas entenderam muito bem como esse subgênero abrange todo o meu trabalho. Eu acho que finalmente estou me dando mais espaço para puxar características de outros gêneros, porque as pessoas já me enxergam como dark pop. Então é minha oportunidade de explorar coisas novas, já que o que eu já queria, eu consegui.
PP: Quais são suas principais referências neste trabalho e de que forma esses artistas influenciam sua estética e a construção de carreira?
Lourandes: Eu tenho me inspirado bastante na Lady Gaga, assim como diversos artistas da geração Z que realmente enxergam ela como a “Mother Monster”, mas também gosto muito da forma como o The Weeknd trabalha as piores partes dele mesmo na música, e quero conseguir explorar também o meu pior lado. Mas continuo sendo movimentada pelas músicas da Lana Del Rey, Marina (and the Diamonds), Lorde e outras cantoras do pop e indie pop.
PP: O clipe de “Lágrimas de Champanhe” também está sendo lançado com o single. Qual a importância da parte visual dentro do seu trabalho?
Lourandes: Eu tive muita dificuldade de pensar na estética do projeto em si, e isso é muito visível nos últimos clipes, mas consegui ajuda da minha maquiadora, Raffaela Almeida, e do meu diretor de fotografia, João Guilherme Moreira, para me ajudarem a organizar algumas ideias visuais. Isso tudo com certeza ajuda a música a viver mais tempo. Ver o produto música como algo que envolve outras pessoas, mais estética e outros fatores faz com que eu adicione mais valor ao que eu acredito.
PP: Olhando para sua trajetória independente, com milhões de streams e um projeto conceitual em andamento, quais são os próximos passos da Lourandes e o que o público pode esperar dos próximos capítulos desse projeto?
Lourandes: Eu me sinto mais pronta para trabalhar pontos mais controversos. Acho que no ano passado trabalhei o projeto com muita confusão e medo, mas consegui ajeitar as ideias aos poucos. Quero demonstrar mais coragem para explorar não somente as piores partes de mim, mas também como eu soluciono isso através da arte.


