Em “Jatobá Peri”, o músico e compositor Flávio Vasconcelos transforma sua experiência recente de vida no campo em um álbum que articula natureza, memória e canção popular. Lançado pelo selo YB Music, o trabalho marca um deslocamento em sua trajetória ao incorporar uma linguagem mais direta e melódica, sem abrir mão da elaboração musical.
BRENÔ APROXIMA A NATUREZA À REALIDADE COTIDIANA NO ÁLBUM “FLORESÇA”
O disco nasceu de um processo de composição que gerou cerca de 30 músicas inéditas, além da recuperação de outras guardadas no acervo do compositor. A curadoria do repertório contou com a colaboração do diretor artístico Romulo Fróes, que incentivou o artista a investir em estruturas mais simples. Como resultado, o álbum evidencia uma escrita mais econômica, aproxima-se de uma estética pop e revela uma faceta até então pouco explorada em sua trajetória.
A base sonora foi registrada ao vivo em estúdio, em formato de power trio, ao lado de Marcelo Cabral e Biel Basile. Posteriormente, as faixas receberam orquestrações assinadas por Gustavo Villas Boas. A concepção do projeto também se ancora no formato físico do vinil, com divisão em dois lados e recorrência de elementos melódicos ao longo do repertório, estabelecendo uma unidade narrativa.

Entre os destaques estão “Madeleine”, que dialoga com a ideia da memória e saudade das fantasias da infância; “Você vai ser feliz”, construída a partir de uma abordagem mais direta; e a faixa-título, que organiza em forma de canção a experiência do artista no sítio onde vive, atravessando temas como pertencimento, transformação e permanência. O álbum conta com participações de Romulo Fróes, na faixa “Tarde”, e de Ceumar. As colaborações partem de afinidade artística e da relação direta com o repertório, integrando-se ao projeto de forma orgânica.
O título faz referência ao sítio onde Flávio reside há cinco anos. O nome, encontrado em uma conta de luz, foi incorporado ao disco e passou a orientar seu eixo conceitual. A partir dessa vivência, o artista sintetiza o trabalho como “um disco de amor à natureza e sobre a natureza do amor”, frase que condensa a perspectiva central do álbum.
A capa, fotografada por Elisa Maciel no próprio sítio, reforça a relação entre território e criação. A imagem propõe uma continuidade entre ambiente e música, enquanto o design, desenvolvido por Thiago Lacaz, incorpora elementos botânicos registrados durante o ensaio.
Com referências que atravessam a MPB, o folk brasileiro e o chamber pop, “Jatobá Peri” reúne composições de diferentes períodos da trajetória de Flávio, articulando material recente e canções anteriores em um mesmo contexto estético. O resultado é um álbum que evidencia uma virada de linguagem ao mesmo tempo em que consolida temas recorrentes em sua obra.


