ROB LOVE CONVIDA OS OUVINTES PARA DENTRO DE UM UNIVERSO MAGICAMENTE AMOROSO NO ÁLBUM “MAGIK”

O PROJETO TODO EM INGLÊS E PORTUGUÊS TEM PRODUÇÃO ASSINADA POR MARIO CALDATO JR. E KASSIN
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27.01.2026

Jorge Bispo

por Carlos Albuquerque

RoB Love lançou o álbum “Magik”. As doze faixas autorais marcam a chegada da sonoridade e estilo únicos da artista recifense. Produzido por Kassin e Mario Caldato Jr, o reggae da cantora é cantado em inglês e português, criando uma linguagem própria que convida os ouvintes para dentro de um universo magicamente amoroso.

Como num passe de mágica, os pais tinham sumido, simplesmente desaparecido. E as crianças, todas elas, estavam presas numa nuvem, cercadas por grades que não paravam de crescer. Parecia uma gaiola suspensa no céu. Então, de repente, apareceram, voando, os homens com cabeça de águia. Apesar da aparência assustadora, eles eram amigos e vieram ajudar as crianças a fugir daquela estranha prisão. Mas não deu certo. Mesmo com toda a sua força, os homens com cabeça de águia não conseguiram abrir as gaiolas. E as grades continuaram a subir, envolvendo a nuvem e fechando o céu.

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Então Filipa acordou, assustada, procurando a mãe. E foi assim que RoB Love, em momento Morfeu, subverteu a sensação de pesadelo vivido pela filha de 11 anos para criar a libertária letra de “High and free” (“High is not enough for me/I wanna be high and free”), sua voz flutuando num elegante tapete de efeitos dub até o pouso final, embalado por um teclado a la Jackie Mittoo (mestre do lendário Studio One, da Jamaica).

“High and free” é um dos inúmeros encantos de “Magik”. E as referências, os efeitos, a atmosfera e o groove da música não deixam dúvidas para onde aponta o sobrenome artístico adotado por ela. “Gosto de muita coisa, mas é no reggae que me sinto mais confortável, é onde encontrei minha voz, é onde me sinto coerente”, explica.

Mas, claro, nem sempre foi assim. Quando tinha seus 8 anos, RoB (então Roberta) ouvia, com atenção e curiosidade, discos como “A arca de Noé”, de Vinícius de Moraes, e “A turma do Balão Mágico”. Depois, já adolescente, começou a ser admirada pelas colegas pelo sucesso que fazia nos karaokês de Recife. “Comecei a perceber que as pessoas gostavam de me ver cantando, me aplaudiam”, conta ela, que, mais tarde, chegou a participar de algumas bandas amadoras, mas sem grandes expectativas ou convicções. “Ainda me sentia muito presa”, admite.

A libertação de RoB começou quando foi estudar Design em Pasadena, na Califórnia, onde ficou por quatro anos. Durante esse período, viu vários shows e ganhou a consciência de que o reggae era maior do que ela imaginava. “Vi Burning Spear, Gregory Isaacs e The Abyssinians, entre outros. E aquilo tudo de alguma forma tomou conta de mim”.

Na Califórnia, ela teve também um encontro que repercutiria muito tempo depois (como mágica). “Eu morava em Pasadena e tinha um namorado que vendia açaí para todo o estado. E minha casa era meio que um centro de distribuição do negócio. Até que um dia a Samantha Caldato apareceu lá, para comprar o açaí. Ela começou a falar do marido e me toquei que era o Mario Caldato Jr., o produtor. Acabamos ficando amigas. E um dia fui almoçar na casa deles, em Los Angeles, e pirei com os discos de reggae do Caldato. Brinquei com ele, dizendo que se virasse cantora, ele ia ter que produzir meu disco. De alguma forma, plantei uma semente naquele momento, mas sinceramente não imaginava que ia colher os frutos algum dia”.

Na volta ao Brasil, em 2006, já formada, RoB passou a atuar em dois canais. No lado A, ficou o trabalho como designer. No lado B, entrou a música, encabeçando o trio King Size, especializado em dub reggae. “Tocávamos versões em estilo dub. Foi uma época de muitas experimentações e aprendizado”, reflete sobre o grupo, que abriu shows de Manu Chao e Alpha Blondy em Recife.

A partir de 2019, a música falou mais alto e virou o lado A na vida de RoB. Inspirada por nomes como Marcia Griffiths e Sevana, ela começou a achar a sua própria voz. Em meio à ressaca da pandemia, lançou em 2021 seu primeiro álbum, homônimo, no qual o reggae era uma das camadas do trabalho, que também tinha toques de synth pop. “Foi um trabalho muito intimista, que fiz ao lado do William Paiva, que tocou os teclados e assinou a produção”, explica.

Dois anos depois, a conexão ficou mais forte com o lançamento do EP ao vivo “RoB canta Bob”, um tributo ao maior ícone do reggae, Bob Marley. O disco foi antecedido pelos singles “My tree dub” e “Vai meu bem”, produzidos por Buguinha Dub, craque local de Pernambuco dos temperos jamaicanos.

Com os caminhos abertos, era a hora de colher, enfim, os frutos dessa virada. E o primeiro nome que RoB pensou para produzir o novo disco foi aquele mesmo que cruzou o seu caminho, há quase 20 anos, em Los Angeles. “Foi muito legal quando falei com o Caldato e lembramos daquele primeiro encontro. Ele topou produzir o disco e disse que seria bom ter um outro nome ao meu lado no Brasil”, conta ela sobre a entrada de Kassin na parceria. Com ele, foram esboçadas as primeiras faixas, gravadas no Rio de Janeiro. Depois, em junho de 2025, os dois foram para Los Angeles finalizar o trabalho no estúdio de Caldato. “É incrível como os trabalhos dos dois se completam. O Caldato aplicou muito bem esse molho dub, com efeitos certeiros de delay e reverb”.

Com 12 faixas solares, cantadas em inglês e em português (“A forma como escrevo é muito visual, acho que é meu background de designer”) “Magik” – puxado pelo single “Radio Love” – traz a atmosfera do lovers rock (o reggae romântico, surgido na Inglaterra) combinada com momentos mais incisivos, como Soldier (I want bright music for dark times/Cause love is the only way I can fight”) e a própria “High and free” (“The cage you raise today will lock you up tomorrow”).

“Essas músicas representam o meu desejo de falar sobre temas sombrios de forma amorosa, através da poesia. Sou de Recife, estou acostumada com os contrastes sociais, do paraíso lado a lado com a desigualdade”, conta ela, que faz questão de lembrar de um herói local. “Trago de Chico Science a lição de que é importante mexer no caldeirão para chegar em algo novo. E me identifico muito com uma letra dele ‘Mateus enter’, que diz ‘Pernambuco debaixo dos pés e a mente na imensidão’. Me vejo assim, com raízes fortes na minha terra, porém aberta a todo o universo”. Ouça o álbum:

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