A 98ª edição do Oscar ocorreu neste domingo (15), no Dolby Theatre, em Los Angeles, consolidando as tendências da temporada de premiações. Para o público brasileiro, a noite foi marcada pela expectativa em torno de “O Agente Secreto”, longa-metragem que representou o país com quatro indicações.
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Embora a produção não tenha conquistado estatuetas, a presença da obra entre os finalistas é um marco relevante. O reconhecimento da Academia em múltiplas categorias reafirma a competitividade do cinema nacional e reposiciona o Brasil como um player estratégico na indústria cinematográfica global.
A trajetória do filme no circuito internacional encerra-se com um saldo positivo, elevando o patamar de visibilidade das produções brasileiras e fortalecendo o prestígio dos profissionais do país junto aos grandes estúdios e críticos mundiais. Vale ressaltar a indicação de Adolpho Veloso, que concorria a Melhor Fotografia com o filme “Sonhos de Trem”.
Diferente de edições anteriores marcadas pelo glamour exuberante, o tapete vermelho da cerimônia do Oscar apresentou uma estética contida. A ausência de trajes de alto impacto e o predomínio de escolhas seguras resultaram em uma recepção morna por parte dos especialistas em moda, que apontaram uma falta de ousadia nas produções femininas.
Em contrapartida, o vestuário masculino destacou-se como o ponto alto da noite. Ao subverterem o rigor do black tie tradicional com cortes experimentais e texturas diferenciadas, os atores assumiram o protagonismo estético do evento, gerando a maior repercussão visual da passarela – a grande estrela dos looks foi o broche nas lapelas.
Outro ponto de debate foi a escolha dos atores brasileiros presentes. Apesar de o evento servir como uma vitrine global estratégica para a moda autoral, grande parte da comitiva optou por grifes internacionais. A preferência por marcas estrangeiras em detrimento de estilistas brasileiros limitou a visibilidade da indústria têxtil nacional em um momento de alta exposição, conforme detalhado nas imagens e descrições a seguir:
“Confesso que senti falta de produções mais elaboradas nesta edição do Oscar. Senti falta daqueles cabelos estruturados e penteados marcantes que costumam ditar as tendências do ano; o que vimos foi uma estética muito contida para o tamanho do evento. Ainda assim, alguns visuais conseguiram prender a minha atenção pelo equilíbrio. Por outro lado, é lamentável observar que, em uma vitrine global desse porte, muitos artistas e grandes marcas ainda negligenciem o devido crédito aos maquiadores e cabeleireiros. Esses profissionais são os verdadeiros arquitetos da imagem das celebridades no tapete vermelho, e a ausência desse reconhecimento técnico é uma falha que precisa ser discutida pela indústria”, comentou o make-up designer Anderson Bueno.
Rose Byrne

Indicada à categoria de Melhor Atriz pelo longa-metragem “I Had Legs I’d Kick You”, a artista foi um dos destaques visuais da 98ª edição do Oscar. Para a ocasião, a atriz selecionou um modelo exclusivo da coleção primavera/verão 2026 da Dior, sob a direção criativa de Jonathan Anderson.
A escolha revelou uma abordagem estratégica ao luxo: o traje equilibrou o rigor do corte clássico com a vanguarda estética característica de Anderson. O resultado foi um visual de alto impacto que, embora respeitasse a sobriedade do evento, garantiu à indicada uma posição de destaque entre as produções mais memoráveis da noite.
Anne Hathaway

Presente na cerimônia como uma das mestres de cerimônia, a atriz capturou as atenções ao surgir em um sofisticado modelo Valentino da coleção de verão 2026. O figurino, marcado por uma estampa floral e decote que deixava os ombros à mostra, foi complementado por longas luvas pretas e uma modelagem em cauda de sereia, equilibrando romantismo e dramaticidade. A artista dividiu o palco com Anna Wintourpara anunciar os vencedores das categorias de Melhor Maquiagem e Penteado e Melhor Figurino.
A interação entre ambas foi pautada por um tom humorístico que remeteu diretamente à dinâmica de “O Diabo Veste Prada”, servindo como uma prévia estratégica para a sequência do longa, “O Diabo Veste Prada 2”, que tem estreia confirmada para o próximo mês.
“A produção assinada por Hung Vanngo na maquiagem e Orlando Pitta no penteado foi, para mim, a mais glamorosa da noite. A escolha por uma make extremamente leve e bem iluminada conseguiu transmitir o brilho natural da pele de forma impecável, com destaque para o batom nude levemente rosado e com um acabamento sutil de brilho. Já no penteado, o semi-preso clássico trouxe uma elegância que uniu estética e funcionalidade, deu leveza ao visual e, ao mesmo tempo, garantiu a segurança necessária para que o cabelo permanecesse intacto durante toda a cerimônia e os eventos pós-Oscar. É o tipo de beleza técnica que valoriza a pessoa sem parecer esforçada demais”, detalhou Anderson Bueno.
Jessie Buclkey

“A grande vencedora da categoria de Melhor Atriz por sua atuação em ‘Hamnet’ personificou o glamour da era de ouro de Hollywood. A aposta em um Chanel sob medida, inspirado na elegância de Grace Kelly, trouxe um decote ombro a ombro com uma estrutura em vermelho vibrante que harmonizava perfeitamente com o tom do batom. O contraste estratégico com a saia longa em rosa claro elevou a produção, assinada pela prestigiada stylist Danielle Goldberg, a um dos momentos mais sofisticados da noite. Para mim, foi uma escolha magistral: a atriz conseguiu equilibrar a força do vermelho com a delicadeza do rosa, resultando em um visual clássico, informativo sobre sua autoridade no cinema, mas profundamente autoral”, explicou o jornalista e stylist Paulo Sanseverino.
Demi Moore

A atriz consolidou-se como um dos maiores destaques visuais da noite ao eleger uma produção de alto impacto e estética maximalista. O modelo exclusivo, assinado pela Gucci, apresentou um design estruturado em degradê, transitando do preto profundo ao verde metálico.
O uso estratégico de texturas, com aplicações de penas, conferiu movimento e uma aura de exuberância ao visual, rompendo com a sobriedade predominante no tapete vermelho. A escolha reafirmou a capacidade da marca em unir a alta costura ao conceito de espetáculo, garantindo à artista o título de uma das figuras mais fotografadas e comentadas do Oscar.
“A maquiagem assinada por Raoul Alejandre foi uma das minhas favoritas pela precisão técnica. Adoro como ele optou por olhos bem marcados e esfumados, uma escolha estratégica que trouxe profundidade ao olhar e destacou intensamente os olhos verdes da atriz que estava lidíssima com seus cabelos soltos. Para equilibrar o peso do olhar, a decisão de deixar os lábios praticamente naturais, com apenas a impressão de um hidratante labial, foi certeira. Esse contraste entre o dramático e o minimalista conferiu uma modernidade necessária ao tapete vermelho, provando que o foco no olhar, quando bem executado, dispensa qualquer outro excesso decorativo no rosto”, disse Anderson Bueno.
Alice Carvalho

“Ainda que o visual não tenha figurado entre os favoritos da noite sob uma ótica puramente estética, a construção técnica da peça foi um triunfo de representatividade. A escolha de um traje confeccionado com fibras de juta e malva amazônica, cultivadas por famílias do Pará e do Amazonas, levou a essência da Normando, marca expoente do Norte brasileiro, ao maior palco do cinema mundial”, comentou Paulo Sanseverino.
“Para mim, a atriz de ‘O Agente Secreto’ foi estratégica ao reafirmar sua parceria com a grife, utilizando a moda como ferramenta política e cultural. O detalhe do broche com a inscrição Abya Yala (nome ancestral do continente dado pelo povo Kuna) e a bolsa assinada por Jay Boggo foram arremates perfeitos. Ela soube valorizar a arte brasileira em um momento oportuno, transformando o tapete vermelho em um manifesto de identidade e sustentabilidade que vai muito além das tendências passageiras”, complementou o stylist.
Kate Hudson

Indicada ao prêmio de Melhor Atriz por sua performance em “Song Sung Blues”, a artista entregou uma das produções mais luxuosas da premiação. A escolha recaiu sobre um modelo exclusivo Armani Privê em tom verde-jade, apresentando um acabamento cintilante e um decote tomara que caia em formato de coração, que fundiu a estrutura clássica da alta-costura com o brilho contemporâneo.
O ponto de maior impacto, no entanto, residiu na alta joalheria. Para compor o visual, a atriz utilizou peças da grife italiana Garatti, apresentando diamantes raros cujo valor de mercado é estimado em mais de R$ 180 milhões. A combinação entre a sobriedade do design da Armani e a exclusividade das pedras preciosas posicionou a indicada como o ápice da sofisticação na noite.
“A beleza assinada por Tonya Brewer na maquiagem e Renato Campora no penteado foi, para mim, uma das mais marcantes do tapete vermelho. A maquiagem seguiu uma linha iluminada e muito sofisticada, mas sem o excesso de iluminador que às vezes vemos; o foco foi realmente valorizar a beleza natural de Kate, trazendo um frescor radiante que combinava com sua indicação. Quanto ao penteado, embora as ondas clássicas de Hollywood com risca lateral profunda não sejam uma novidade nos tapetes vermelhos, a execução de Campora trouxe uma leveza contemporânea que funcionou perfeitamente com o estilo dela. Foi um visual glamuroso e seguro, que manteve a elegância do início ao fim do evento, reafirmando que o clássico, quando bem feito, nunca decepciona”, complementou o maquiador Anderson Bueno.
Teyana Taylor

Apesar da discussão envolvendo a atriz com o segurança do evento ao final da cerimônia, sua passagem pelo tapete vermelho da 98ª edição do Oscar foi marcada pelo impacto visual e pela sofisticação. Para a ocasião, a artista selecionou um modelo Chanel que explorou o contraste clássico entre o preto e o branco, apresentando uma proposta de design ousada.
O traje destacou-se pela construção técnica de um corpete transparente, tendência que desafiou o tradicionalismo da marca, culminando em uma cauda estruturada que conferiu a dramaticidade necessária ao evento. Para elevar a produção, a atriz utilizou peças de alta joalheria da Tiffany & Co., consolidando um dos visuais mais comentados da noite, independentemente da situação acalorada.
“Adorei a construção da maquiagem, em especial o delineador muito bem desenhado e alongado na pálpebra inferior, uma escolha técnica que trouxe um ar moderno e gráfico ao olhar. Por outro lado, confesso que me incomoda um pouco o excesso de iluminador corporal. Essa intensidade acabou criando uma desconexão visual, fazendo com que a pele dos braços apresentasse uma textura e brilho muito diferentes do rosto. Talvez seja uma percepção pessoal, já que tenho certas ressalvas com o uso exagerado de iluminadores, mas acredito que o equilíbrio entre a face e o corpo é essencial para uma imagem harmônica em eventos com iluminação tão forte quanto o Oscar”, pontuou Bueno.
Bruna Marquezine

“Mesmo sem concorrer a uma categoria específica nesta edição, Bruna Marquezine reafirmou sua forte influência em Hollywood ao marcar presença no tapete vermelho. Para mim, no entanto, fica a sensação de uma oportunidade desperdiçada: com o alcance global que possui, ela poderia ter sido a vitrine perfeita para elevar o design de estilistas brasileiros ao topo da indústria”, disse Paulo Sanseverino.
“Em vez disso, a atriz optou por um vestido deslumbrante criado sob medida por Demna, atual diretor criativo da Gucci, feito exclusivamente para ela. O visual, complementado por um colar de diamantes de tirar o fôlego, foi tecnicamente impecável e reforçou seu status de ícone internacional, mas deixou uma lacuna para quem esperava ver a moda nacional brilhando em sua pele em um momento tão estratégico”, ressaltou.
Elle Fanning

A atriz de “Valor Sentimental” optou por uma estética romântica e imponente para sua participação na 98ª cerimônia do Oscar. O traje, com assinatura da Maison Givenchy, foi desenvolvido sob a direção criativa de Sarah Burton, apresentando uma silhueta de “princesa” que equilibra o rigor técnico com a delicadeza ornamental.
O vestido destacou-se pela estrutura clássica, enriquecida por bordados prateados e aplicações florais minuciosas. O volume estratégico da saia não apenas conferiu dramaticidade ao visual, mas garantiu uma passagem triunfante pelo tapete vermelho, consolidando a peça como um dos exemplares mais sofisticados de alta-costura da noite.
“A beleza assinada por Erin Ayanian Monroe na maquiagem e Jenda Alcorn no penteado foi uma das minhas favoritas da noite. Amo essa estética de beleza leve e quase ingênua que ela sempre adota; há uma pureza no visual que foge do óbvio em eventos tão carregados. O coque baixo foi uma escolha técnica muito feliz, pois limpou o rosto e deu todo o destaque necessário para a maquiagem sutil. Para mim, essa combinação entre um penteado polido e uma pele com aspecto natural cria um equilíbrio sofisticado, provando que a elegância muitas vezes reside no que é minimalista e bem executado”, explicou o make-up designer.
Nicole Kidman

A atriz e apresentadora da noite reafirmou sua posição como um dos maiores ícones de estilo da atualidade ao surgir em uma produção que exalava requinte hollywoodiano. Consolidando sua parceria de longa data com a Chanel, ela elegeu um figurino que fundiu elementos dramáticos e artesanais de forma magistral. O traje apresentou uma composição complexa onde plumas, cristais e aplicações minuciosas se integraram, resultando em uma verdadeira obra-prima da alta-costura.
Para finalizar o visual, a escolha da alta joalheria Chanel reforçou a unidade estética da produção, demonstrando um domínio absoluto sobre como sustentar um visual de alto impacto com a sobriedade exigida pela cerimônia.
“Sou suspeito ao falar de Nicole Kidman, pois ela é um espetáculo em qualquer circunstância, até mesmo de jeans e camiseta branca. No Oscar, a beleza assinada por Gucci Westman na maquiagem e Adir Abergel no penteado reforçou essa aura de sofisticação natural que ela carrega. A maquiagem foi extremamente leve, priorizando a naturalidade da pele, mas o grande destaque técnico para mim foi a escolha do tom rosado do blush, que trouxe um frescor jovial e saudável ao rosto, harmonizando perfeitamente com a elegância clássica que a atriz sempre entrega no tapete vermelho”, ressaltou Bueno.
Maria Fernanda Cândido

“A atriz de ‘O Agente Secreto’ entregou uma passagem impecável e clássica pelo tapete vermelho, optando por um vestido assinado por Vivienne Westwood. O visual preto serviu como a tela perfeita para destacar as joias da Tiffany & Co., uma composição luxuosa em platina e ouro cravejada de diamantes e safiras roxas. No entanto, para mim, fica o registro de mais uma oportunidade perdida para o fortalecimento da nossa indústria criativa: em um momento único de visibilidade para o cinema nacional, a atriz seguiu o caminho das grifes estrangeiras em vez de enaltecer estilistas e designers de joias brasileiros. Embora o resultado estético seja inegável, a ausência de uma assinatura nacional em um evento desse porte limita o potencial de exportação da nossa moda autoral”, ressaltou mais uma vez o jornalista e stylist Paulo Sanseverino.
“Agora, eu não posso deixar de destacar a beleza de Maria Fernanda Cândido, assinada pelos meus amigos Zé Lucas e Rodrigo Albuquerque. A produção foi absolutamente impecável: clássica, leve e sutil, sem qualquer exagero, o que acabou transmitindo uma jovialidade radiante. O grande acerto foi o penteado com coque alto, que conseguiu ser sofisticado sem perder a definição dos cachos, que são uma característica tão marcante e identitária da atriz. Para mim, foi uma das escolhas mais felizes da noite, justamente por respeitar a essência dela com um toque de elegância atemporal”, disse Anderson Bueno.
Wunmi Mosaku

A atriz, integrante do elenco de “Pecadores”, foi um dos grandes destaques da cerimônia do Oscar ao unir elegância e maternidade em uma passagem memorável pelo tapete vermelho. Para a ocasião, ela elegeu um modelo exclusivo da Louis Vuitton, que explorou o luxo absoluto através de uma estrutura repleta de brilho em tons de esmeralda.
O traje, desenvolvido sob medida, foi estrategicamente pensado para valorizar sua silhueta de gestante, mantendo o glamour característico da alta-costura da maison. A escolha da cor e a intensidade dos bordados conferiram uma aura de sofisticação e vitalidade, consolidando o visual como uma referência de estilo para produções de gala contemporâneas.
“Absolutamente linda! A produção assinada pela dupla Uzo e Araxy Lindsey foi, sem dúvida, uma das mais memoráveis do evento. O que mais me encanta é quando o penteado respeita e potencializa a textura natural do cabelo, trazendo uma autenticidade que fez toda a diferença no red carpet. A maquiagem seguiu uma linha iluminada belíssima, valorizando os traços com um esfumado sutil no canto externo para dar aquele olhar marcante, mas sem pesar. O toque de mestre, porém, foi a uniformidade da pele: o tom do rosto e do corpo estava em total sintonia, uma execução técnica impecável que elevou o nível do visual”, finaliza Bueno.
Laura Lufési

“Quando falamos em tapete vermelho, a expectativa imediata é de requinte, luxo e o mais alto nível de glamour, especialmente no Oscar, onde o mundo monitora cada detalhe. Nesse contexto, a iniciativa da atriz de levar a marca brasileira Misci a uma vitrine global foi louvável, valorizando o design nacional e a simbologia do fuxico brasileiro em um cenário de prestígio. Contudo, sob uma análise técnica e pessoal, acredito que houve um erro drástico na escolha do look: a peça não correspondeu ao status da premiação. Embora o conceito de exaltar o artesanato brasileiro seja riquíssimo, a execução visual não alcançou a sofisticação exigida pelo rigor do evento, resultando em uma produção que, apesar de representativa, careceu do impacto e da elegância que o maior palco do cinema internacional demanda”, finalizou Paulo Sanseverino.


