Senhoras e senhores preparem a pipoca que o show vai começar! “O Adorável Trapalhão, O Musical”, desembarca entre os dias 26 de fevereiro a 19 de abril de 2026, no Teatro Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro, onde mergulha na vida e obra do renomado comediante Renato Aragão, e seu eterno personagem icônico Didi Mocó, desde sua infância e juventude em Sobral, no Ceará, sua mudança para o Rio de Janeiro e seu estrondoso sucesso no programa “Os Trapalhões”, na TV Globo, destacando a importância do palhaço na cultura nacional.
A montagem apresenta Rafael Aragão como protagonista, direção de José Possi Neto, texto de Marília Toledo e visagismo impecável assinado por Anderson Bueno. A figura do palhaço (ou clown) no Brasil transcende o mero entretenimento, consolidando-se como um pilar da cultura popular que funde tradições milenares européias com a identidade nacional. Desde a chegada do circo-família no século XIX até a atuação contemporânea em teatros e hospitais, esses artistas desempenham uma função social vital ao transformar o riso em um ato de resistência e empatia.

“Acho que a maior dificuldade de compor o visagismo foi de não deixá-los ‘clown’ demais, apesar de ser uma trupe de palhaços e também não deixar realista demais. Quando tive a primeira reunião de criativos, o Possi [diretor] foi muito direto: “quero tudo muito lúdico, pois tudo se passa no sonho da criança Renato Aragão” – então era só criar a identidade de cada personagem, de forma que a feição deste palhaço não comprometesse a caricatura que ele faria dos personagens, afinal, o mesmo palhaço faz dois, três, ou até quatro personagens diferentes”, explica Anderson Bueno sobre a construção da maquiagem do espetáculo.
O musical destaca os momentos importantes da carreira de Renato Aragão, como a formação do quarteto com Dedé Santana, Mussum e Zacarias, seus filmes de grande sucesso, e seu trabalho filantrópico com o Criança Esperança. Também aborda os desafios e conflitos enfrentados pelo grupo, incluindo uma separação temporária. A história é contada com números musicais, coreografias e interações entre os personagens que marcaram a carreira do comediante.

“A maquiagem do palhaço funciona como uma máscara sagrada que exterioriza a psique do personagem e estabelece uma conexão imediata com o público. Historicamente, a diferenciação visual entre tipos como o branco, de rosto alvo e traços autoritários e o Auguste, de feições exageradas e coloridas, permitiu a exploração de hierarquias sociais no picadeiro. No contexto brasileiro, essa pintura evoluiu de traços pesados e caricatos para formas mais sutis e orgânicas, buscando uma relação de transparência e verdade cênica que permite ao espectador enxergar a humanidade por trás da tinta”, pontua Bueno.
Tecnicamente, o uso de produtos específicos como o clown makeup garante a uniformidade e a durabilidade necessárias para as intensas exigências da performance física. Cada desenho no rosto é um registro de identidade artística, muitas vezes passado de geração em geração. Assim, a composição visual não é apenas estética; é um código de comunicação não verbal que prepara o terreno para a improvisação e para a quebra da “quarta parede”, permitindo que o artista transite entre o ridículo e o sublime com autenticidade.

“O que mais chamou a minha atenção foi a cena da família do Renato, que possui tons mais terracota que remetem um pouco aos desenhos da literatura de cordel, então essa maquiagem ‘clown’, precisa conversar e se adaptar a essa cena. No espetáculo, usamos todas as cores possíveis, inclusive as fluorescentes”, pontua o make-up designer.
Mais do que uma biografia, o musical propõe um olhar afetivo sobre o Brasil e sobre o poder do humor como ferramenta de transformação social, memória coletiva e identidade cultural. A direção de Possi Neto localiza a encenação em um grande picadeiro afetivo, onde os elementos circenses e a atmosfera lúdica prestam uma homenagem aos palhaços e a todos os artistas brasileiros, dos mambembes às grandes estrelas, todos eles simbolicamente presentes no ícone popular que é Renato Aragão. A encenação combina comicidade física, música engajante e estética marcante, criando uma experiência sensível e acessível a públicos de todas as idades.

“Confio muito na equipe que está fazendo esse sonho virar realidade e tenho certeza de que o resultado será lindo e que vai encantar não só a mim, mas também todo mundo que me acompanha por tanto tempo”, diz Renato Aragão.
A figura do palhaço na cultura brasileira atua como um espelho social que reflete as vulnerabilidades e contradições da nossa identidade, consolidando-se como um símbolo de resistência e preservação de saberes populares. “Para o palhaço brasileiro, a pintura facial é, simultaneamente, um suporte de atuação que amplifica a expressão corporal e uma proteção necessária para transmutar sentimentos reais em riso e reflexão coletiva”, finaliza Anderson Bueno.
SERVIÇO
Espetáculo “O Adorável Trapalhão, O Musical”
Onde: Teatro Sesc Ginástico
Endereço: Avenida Graça Aranha, 187, Centro – Rio de Janeiro
Quando: 26 de fevereiro a 19 de abril de 2026
Horário: quinta e sexta às 19h – sábado e domingo às 17h
Quanto: R$ 60 (inteira) R$ 30 (meia)
Classificação etária: livre
Duração: 120 minutos com 15 minutos de intervalo
Informações: através do site


