‘Capitã Marvel’ cumpre missão e aumenta expectativa por desfecho de ‘Vingadores’

Roteiro destaca luta por igualdade de gênero e emancipação feminina
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11.03.2019

Divulgação / Reprodução

Depois do marcante ‘Pantera Negra’ (vencedor de três Oscar, semanas atrás), e do intenso ‘Vingadores: Guerra Infinita’, lançados em 2018, por mais que se torça para o contrário, não é de surpreender que ‘Capitã Marvel’ fique abaixo desses. Não significa que seja ruim. Difícil seria manter o nível de seus recentes predecessores.

Até porque, em essência, cumpre rigorosamente sua grande missão: sacia parte da ansiedade dos fãs mais ávidos pelo desfecho da enorme saga, ao passo em que também aumenta a expectativa por ‘Vingadores: Ultimato’ (com estreia no país marcada para 25 de abril).

‘Capitã Marvel’ é uma espécie de prequel do universo cinematográfico do estúdio (UCM). A história se passa em 1995 e nos mostra a origem da personagem que, já sabemos, terá papel fundamental em ‘Ultimato’. Por tabela, conhecemos mais sobre o passado de Nick Fury (Samuel L. Jackson), ainda no início de sua carreira na S.H.I.E.L.D., a agência ultra secreta que dirige. Possivelmente uma forma de compensar o filme solo prometido para o personagem ainda no começo da franquia, e que acabou engavetado.

O fato é que ‘Capitã Marvel’ tem início sonolento. Talvez por já se saber que a protagonista logo chegará à Terra, cansa um pouco conhecer sua rotina no distante planeta dos Kree. Seu mentor, Yon-Rogg (Jude Law), a prepara para que se torne uma das grandes combatentes de sua raça. Em permanente guerra contra os Skrulls, é no desenrolar de sua primeira missão entre os Kree que Vers (Brie Larson, vencedora do Oscar 2016 por ‘O Quarto de Jack’), como é conhecida entre os seus, acaba indo parar na Terra.

A partir daí, Fury e o agente Phil Coulson (Clark Gregg), outra figura já conhecida no UCM, entram em cena. O filme melhora. Fica, ao menos, mais divertido com o bom humor dos personagens e as inúmeras referências aos anos 90 que passam a surgir na tela e na trilha sonora.

Como esperado (e desejado), as simbologias ligadas à luta feminina por igualdade e emancipação estão presentes desde o início – originalmente a personagem, lançado na década de 60, era representado como homem. A sequência em que a protagonista enfrenta um batalhão inteiro, presumidamente masculino, com as mãos vedadas/atadas – a impedindo de disparar seus raios – é forte, nos remetendo à linda cena de ‘Mulher Maravilha’ (2017), na qual a heroína da DC percorre, sozinha, um campo de batalha durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto é alvejada por inúmeros soldados inimigos.

capitã marvel cenas

Mas é da metade para a frente que a coisa fica realmente boa, quando se evidencia a ambiguidade de certos personagens e o passado de Vers vem à tona. Essa ambivalência abre caminho para que se discuta, além da questão feminina, a crise dos refugiados e imigrantes, a forma como são tratados por diferentes nações, tópico igualmente atual e pertinente ao mundo inteiro. Claro, tudo de maneira velada: ainda falamos do suprassumo do cinema de entretenimento.

Contudo, ao abordar temas sensíveis e necessários como esses, um aparentemente despretensioso filme sobre super-heróis se torna notável, como bem demonstrou ‘Pantera Negra’. É exatamente isso que agrega à ‘Capitã Marvel’ algum valor além da costumeira autocelebração de um dispendioso filme de ação, e da milionária bilheteria que arrecada.

A primeira das DUAS cenas extras nos traz a certeza de que, apesar de inconstante – e, cabe a comparação, inferior à ‘Mulher-Maravilha’ – o filme termina bem, nos dando a vontade de permanecer na poltrona e encarar logo na sequência as prometidas três horas de duração que ‘Vingadores: Ultimato’ deve ter.

Capitã Marvel (Captain Marvel) – EUA, 124 min, 2019 – Dir.: Anna Boden e Ryan Fleck – Estreou em 07/3.

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