ANDERSON BUENO ASSINA VISAGISMO DE CINCO ESPETÁCULOS SIMULTÂNEOS ENTRE RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO

CONHECIDO COMO "O REI DOS MUSICAIS", O MAKE-UP DESIGNER É RESPONSÁVEL POR GRANDES ESPETÁCULOS E MAIS DE 56 ÓPERAS EM SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
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01.04.2026

Divulgação

A ascensão de São Paulo ao posto de “Broadway Brasileira” não é apenas uma metáfora, mas um fenômeno econômico e artístico consolidado. A capital paulista tornou-se o epicentro de espetáculos de alta complexidade técnica, onde a convergência de cenografias monumentais, engenharia de som de ponta e elencos multidisciplinares exige um nível de excelência nos bastidores equivalente ao das grandes produções de New York e Londres.

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Dentro deste ecossistema, o visagismo e a caracterização deixaram de ser meros complementos para se tornarem pilares narrativos. É neste cenário que se destaca a trajetória de Anderson Bueno. Com mais de três décadas de atuação, Bueno é uma figura central na profissionalização da maquiagem teatral no Brasil. O título de “rei dos musicais”, conferido pelo setor, reflete a magnitude de seu portfólio que possui mais de 56 óperas e 25 grandes musicais que levam sua assinatura.

O trabalho de caracterização em musicais exige uma precisão milimétrica. Ao contrário do cinema, onde o detalhe é captado pela lente, no teatro o visagismo deve garantir que a expressão do personagem seja legível para a última fileira, sem perder a naturalidade sob as potentes luzes e o suor das coreografias exaustivas. Anderson Bueno utiliza técnicas que fundem o histórico artístico com inovações em materiais, garantindo a durabilidade e o realismo necessários para oito sessões semanais.

Foto: Carlos Costa

Atualmente, Anderson Bueno gerencia a estética visual de cinco montagens de destaque, evidenciando sua versatilidade em transitar entre o drama biográfico e o entretenimento infanto-juvenil. Abaixo, detalhamos a relevância técnica de seu trabalho e as produções que compõem seu atual momento profissional:

O musical “Diana – A Princesa do Povo” chega pela primeira vez ao Brasil, marcando sua estreia nacional no Rio de Janeiro e, na sequência, temporada em São Paulo. O elenco reúne ao todo 23 atores e tem como núcleo central, além de Sara Sarres, Claudio Lins no papel do Príncipe Charles, em uma interpretação que explora as contradições e dilemas do herdeiro do trono; Simone Centurione como a Rainha Elizabeth, símbolo de poder e tradição; e Giselle Prattes no papel de Camilla Parker Bowles, figura central nos conflitos emocionais e públicos vividos por Diana.

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“O principal desafio técnico desta produção reside na caracterização de atores cujos traços naturais divergem das figuras históricas retratadas. A construção do visagismo para personagens da Família Real exige um rigor diferenciado, uma vez que o estilo desses indivíduos é pautado pela sutileza e elegância, sem elementos icônicos de fácil reconhecimento visual imediato”, pontuou Anderson Bueno.

“Para assegurar o destaque das protagonistas, estabeleci que apenas as personagens Diana e Camilla utilizarão perucas loiras em cena. O espetáculo adota uma estética de ópera pop, alternando entre o realismo histórico e composições visuais puramente teatrais. Essa paleta vasta permite que o visagismo transite de momentos de fidelidade documental a cenas de alta carga interpretativa e liberdade criativa, conferindo amplitude visual à narrativa”, complementou.

Foto: Pedro Dimitrow

Já em “Adorável Trapalhão – O Musical” mergulha na vida e obra do renomado comediante Renato Aragão, e seu eterno personagem icônico Didi Mocó, desde sua infância e juventude em Sobral, no Ceará, sua mudança para o Rio de Janeiro e seu estrondoso sucesso no programa “Os Trapalhões”, na TV Globo, destacando a importância do palhaço na cultura nacional. A montagem apresenta Rafael Aragão como protagonista, direção de José Possi Neto e texto de Marília Toledo.

“Acho que a maior dificuldade de compor o visagismo foi de não deixá-los ‘clown’ demais, apesar de ser uma trupe de palhaços e também não deixar realista demais. Quando tive a primeira reunião de criativos, o Possi [diretor] foi muito direto: “quero tudo muito lúdico, pois tudo se passa no sonho da criança Renato Aragão” – então era só criar a identidade de cada personagem, de forma que a feição deste palhaço não comprometesse a caricatura que ele faria dos personagens, afinal, o mesmo palhaço faz dois, três, ou até quatro personagens diferentes”, explica Anderson Bueno sobre a construção da maquiagem do espetáculo.  

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“A maquiagem do palhaço funciona como uma máscara sagrada que exterioriza a psique do personagem e estabelece uma conexão imediata com o público. Historicamente, a diferenciação visual entre tipos como o branco, de rosto alvo e traços autoritários e o Auguste, de feições exageradas e coloridas, permitiu a exploração de hierarquias sociais no picadeiro. No contexto brasileiro, essa pintura evoluiu de traços pesados e caricatos para formas mais sutis e orgânicas, buscando uma relação de transparência e verdade cênica que permite ao espectador enxergar a humanidade por trás da tinta”, pontua Bueno.

Seguindo turnê pelo Brasil, “Tom Jobim Musical” retrata um trabalho voltado à elegância da Bossa Nova, onde a maquiagem e o cabelo precisam evocar a atmosfera sofisticada do Rio de Janeiro das décadas de 50 e 60. E no ano em que completa 30 anos da morte de Tom Jobim, ícone do gênero musical, a história desse gênio da música brasileira ganhou vida com um espetáculo musical assinado por Nelson Motta e Pedro Brício.

Foto: Jairo Goldflus

“Ao retratar pessoas que realmente existiram, nos dá um direcionamento e ao mesmo tempo, não nos deixa sair do óbvio. Principalmente se tratando de uma montagem onde retrata tudo no máximo de originalidade. Respeitando os estilos de maquiagem e cabelo da época. O João Fonseca [diretor] prima pelo naturalismo, sem exageros”, comenta Anderson Bueno. Otávio Müller dá vida a Vinicius de Moraes, e sua caracterização impressionou até a viúva do compositor, Gilda Mattoso, segundo informações da revista Ela, do jornal O Globo. 

O ator Elton Towersey protagoniza o espetáculo musical, e para o visagista Anderson Bueno é um desafio a produção do personagem de Tom Jobim. “Eu acredito que o maior desafio é o processo de envelhecimento dele, pois o papel é feito pelo mesmo ator, desde muito jovem até sua morte. o trabalho dele corporal e como ator é importantíssimo, mas a maquiagem vem para lapidar, respeitando a naturalidade que o espetáculo exige”

A cena teatral brasileira prepara-se para um dos momentos mais emblemáticos da temporada de 2026 com a estreia de “Meu Filho É Um Musical”. Duas décadas após o início do fenômeno que redefiniu a comédia contemporânea no país, a trajetória de Paulo Gustavo é transposta para a linguagem do teatro musical, estruturada sob as bases da memória afetiva e do legado deixado por sua mãe, Déa Lúcia. A produção, que chega ao palco do Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, no dia 28 de maio, carrega uma forte carga emocional e técnica, sendo conduzida por uma direção de peso: Ju Amaral, irmã do artista, e João Fonseca, diretor experiente no gênero musical biográfico.

A complexidade de traduzir a personalidade multifacetada de Paulo Gustavo exigiu uma seleção criteriosa, revelada recentemente em rede nacional. A montagem optou por uma narrativa que percorre diferentes arcos temporais, utilizando o recurso da alternância para garantir o vigor das performances. Os atores João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli se revezam no papel principal. Ambos trazem bagagens consolidadas que transitam entre os palcos e o audiovisual, essenciais para capturar o timing cômico e a sensibilidade dramática do homenageado.

A infância do artista será interpretada por Miguel VenerabileGabriel Gentil e Guilherme Baleixo. O trio se alternam nas sessões, representando o período em que os traços da personalidade de Paulo Gustavo começaram a ser moldados no convívio familiar em Niterói. “Meu Filho É Um Musical” não se propõe apenas como uma biografia linear, mas como uma celebração do impacto de Paulo Gustavo no imaginário popular brasileiro. A peça deve explorar como a vida cotidiana e as relações familiares, especialmente com Déa Lúcia, serviram de matéria-prima para a criação de personagens icônicos que bateram recordes de bilheteria no teatro e no cinema.

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Com a estreia marcada para o Rio de Janeiro, a expectativa é que a montagem se torne um marco de visitação turística e cultural, reforçando o papel do teatro musical como uma ferramenta de preservação da memória artística nacional.

Para Anderson Bueno, assinar a caracterização de uma obra que resgata a memória de um dos maiores ícones do humor brasileiro é mais do que um desafio técnico; é um exercício de sensibilidade. Em um espetáculo onde a narrativa se apoia na proximidade e no afeto, o visagismo atua como a ponte invisível entre o ator e a lembrança que o público guarda do homenageado.

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O profissional destaca que, em produções biográficas de tamanha carga emocional, a simplicidade estética é, muitas vezes, a ferramenta mais poderosa para garantir a verossimilhança. Segundo suas próprias palavras: “É um privilégio assinar a maquiagem desse espetáculo tão significativo para a cultura nacional. Por mais que seja um visagismo focado no básico, é justamente esse visual que deve impactar e emocionar o público presente”.

Essa abordagem reforça que o trabalho de Bueno em “Meu Filho É Um Musical” busca a essência humana dos personagens, permitindo que a atuação e a história brilhem sem excessos, mas com a precisão necessária para transportar a plateia de volta aos momentos mais marcantes da vida de Paulo Gustavo.

Encerrando o robusto cronograma de produções atuais, “Miraculous Ladybug – O Show Musical” surge como um dos projetos mais desafiadores do ponto de vista técnico e estético. A montagem tem a missão de transpor a linguagem bidimensional das animações digitais para o plano real (live-action), preservando a fidelidade visual que se tornou uma exigência rigorosa do público infantil contemporâneo.

Sob a direção de Marllos Silva, o espetáculo possui uma estrutura logística ambiciosa, com previsão de turnê por dez cidades brasileiras. Essa itinerância exige que toda a concepção visual seja não apenas impactante, mas também funcional e adaptável a diferentes infra estruturas de palco. No que tange à caracterização, Anderson Bueno reafirma seu compromisso com a precisão iconográfica. O visagista destaca que o trabalho seguirá estritamente os traços dos personagens que se tornaram um fenômeno global entre a nova geração. Embora os detalhes específicos da estética ainda estejam mantidos sob reserva, Bueno pontua a complexidade do processo.

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“Ainda estamos em fase de desenvolvimento do visagismo de cada personagem. O objetivo é garantir que a transição do desenho animado para o palco mantenha a essência e a magia que as crianças esperam ver ao vivo”. O desenvolvimento desta identidade visual envolve o estudo de texturas e cores que funcionem sob a iluminação teatral, garantindo que heróis como Ladybug e Cat Noir sejam instantaneamente reconhecidos, mantendo a tridimensionalidade necessária para o desempenho físico dos atores em cena.

O impacto de Bueno no mercado vai além da estética; ele é responsável pela formação de novos profissionais e pela estruturação de departamentos de caracterização que permitem que São Paulo e Rio de Janeiro mantenham o padrão internacional de suas produções, sustentando o título de hub cultural da América Latina.

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