O DJ e produtor brasileiro Tommy Love celebra uma marca histórica em sua trajetória ao completar 22 anos de carreira na música eletrônica. Consolidado como um dos principais e mais influentes nomes da cena voltada ao público LGBTQIA+, o artista mantém uma agenda robusta que reflete seu alcance global. Atualmente, ele se divide entre apresentações em solo nacional e uma turnê internacional, com passagens recentes e datas confirmadas em importantes palcos do México, Colômbia, Taiwan e Espanha.
No campo dos lançamentos fonográficos, o produtor vive um momento de intensa produtividade e destaque nas plataformas de streaming. Tommy Love acaba de disponibilizar o single “Next Level”, uma colaboração com as cantoras Nikki Valentine e Amannda, duas vozes emblemáticas e frequentes em suas produções de sucesso. Além de colher os resultados deste último trabalho, o artista já planeja os próximos passos de sua discografia e anuncia o lançamento de um novo single inédito, previsto para chegar ao mercado no segundo semestre.
Em entrevista exclusiva concedida ao Portal Pepper, o DJ detalha os bastidores dessa nova fase profissional, relembra momentos marcantes de suas mais de duas décadas de estrada e projeta o futuro de sua identidade musical. A conversa aborda desde o processo de criação de seus hits até o panorama atual da cena eletrônica internacional. Você confere a entrevista na íntegra logo abaixo:
PORTAL PEPPER – Como surgiu a vontade/interesse pelo segmento eletrônico?
TOMMY LOVE – A música eletrônica entrou na minha vida muito cedo. Meu pai era radialista e minha grande alegria na infância era ir com ele na rádio, e ficar na discoteca ouvindo música. De início, fiquei fascinado por artistas como Donna Summer, Michael Jackson, New Order.
PP – Como foi sair de Minas Gerais e conquistar as principais capitais brasileiras?
TL – Foi um processo muito intenso, porque naquela época tudo era mais difícil. Não existia rede social como hoje, não existia TikTok, algoritmo ou facilidade de alcance. Você precisava conquistar espaço na pista, na consistência e no boca a boca. Sair de Minas me fez entender muito cedo que eu precisava transformar meu nome numa marca forte e memorável. Acho que fui construindo isso com muito trabalho, muita disciplina e principalmente entendendo quem eu era artisticamente. Nunca tentei parecer outra pessoa. E isso criou uma conexão muito verdadeira com o público ao longo dos anos.

PP- Está comemorando 22 anos de carreira. Qual sua visão sobre o mercado de música eletrônica nacional atual e o de 20 anos atrás?
TL- O mercado amadureceu muito. Hoje existe uma estrutura muito mais profissional, mais acesso, mais visibilidade e até mais respeito pela música eletrônica como indústria cultural. Ao mesmo tempo, tudo ficou muito mais rápido e descartável. Antigamente existia uma construção de carreira mais lenta, quase artesanal. Os DJs tinham mais tempo para amadurecer artisticamente. Hoje a velocidade da internet cria fenômenos instantâneos, mas também cobra uma renovação constante.
O lado positivo é que a cena brasileira nunca esteve tão forte esteticamente, musicalmente e visualmente. Existe uma geração muito talentosa surgindo. Mas acredito que permanência ainda continua sendo o grande desafio. E completar 22 anos de carreira num mercado tão acelerado me faz valorizar ainda mais a minha trajetória.
PP – Qual a maior dificuldade que você enfrenta sobre o gênero?
TL – A música eletrônica ainda enfrenta muitos preconceitos de quem olha de fora e reduz tudo a “balada”, sem entender a dimensão cultural, artística e emocional que existe dentro da cena. E existe também um desafio constante de inovação. O público da música eletrônica percebe quando algo é verdadeiro e quando algo é repetição. Então existe uma pressão natural para se reinventar sem perder sua identidade.
PP – O público LGBT+ é mais fiel ao gênero musical?
TL – Eu acredito que existe uma conexão emocional muito profunda entre o público LGBT+ e a música eletrônica. Historicamente, as pistas sempre foram espaços de liberdade, expressão e resistência para a comunidade. Então não é só sobre gostar de um gênero musical, sabe? Existe um vínculo afetivo com esse universo. E isso naturalmente cria um público muito apaixonado, muito presente e muito fiel.
PP – Quando você sabe que um feat será sucesso?
TL – Não existe fórmula exata, porque, pra mim, música continua sendo sentimento. Mas eu acho que você percebe quando uma faixa cria reação física e emocional nas pessoas antes mesmo do lançamento. Quando ela muda a energia da pista, quando as pessoas perguntam qual música é, quando começam a gravar stories espontaneamente… normalmente existe um sinal ali. E no caso de “Next Level”, eu senti isso muito rápido. O beat fazia as pessoas dançarem, mas ao mesmo tempo ficava aquela confusão “mas que música é essa que eu nunca ouvi? O que diz a letra?”.
PP – Está saindo em turnê comemorativa de 22 anos de carreira e o lançamento do recente single “Next Level”. México e Colômbia darão o pontapé inicial. Quais outras cidades percorrerá?
TL – Essa turnê tem um significado muito especial pra mim porque ela celebra não só minha trajetória, mas também uma nova fase artística. México e Colômbia realmente dão início a esse ciclo internacional, e depois seguimos para cidades no mundo todo, desde Taipei em Taiwan, até Torremolinos na Espanha.
PP – Planeja nova faixa para o segundo semestre?
TL – Sim. Estou vivendo uma fase muito criativa em estúdio e quero aproveitar esse momento para lançar mais música. “Next Level” abriu uma porta estética e sonora muito forte dentro do meu projeto, então os próximos lançamentos devem continuar expandindo esse universo. Tenho uma faixa prontinha para o Pride 2026!
PP – Um recado para o Tommy Love de 22 anos atrás?
TL- Nunca deixe de confiar no seu instinto e ouvir seu coração.


