EDWIN LUISI CELEBRA A CORAGEM DE EXISTIR AO INTERPRETAR 20 PERSONAGENS NO ESPETÁCULO “EU SOU MINHA PRÓPRIA MULHER”

A PEÇA COM DIREÇÃO DE HERSON CAPRI ESTREIA EM 11 DE SETEMBRO NO TEATRO FAAP, EM SÃO PAULO
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05.09.2026

Lívio Campos

Inédita em São Paulo, “Eu Sou Minha Própria Mulher” chega à cidade para concretizar o desejo antigo de Edwin Luisi. O frescor da nova encenação poderá ser conferido na temporada do Teatro FAAP, de 11 de setembro a 29 de novembro. O monólogo preserva sua essência original e dialoga diretamente com o presente, em um convite à empatia, à reflexão sobre identidade e à celebração da coragem de existir. Estreada em 2007, a peça marcou profundamente a trajetória do ator. O texto do dramaturgo norte-americano Doug Wright, tornou-se um dos trabalhos de maior destaque da carreira de Luisi.

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“Antes de mais nada, é necessário dizer que essa é uma releitura, uma outra produção. Alguns profissionais mudaram, o texto foi atualizado. Inclusive, a forma como eu encaro o texto é diferente daquela época; passaram-se muitos anos. Nesse meio tempo, tivemos muitas mudanças no mundo, sobretudo uma pandemia, que marcou a todos nós. E vejo o texto hoje muito mais atual do que na época, porque fala de identidade, resistência, da liberdade de ser o que se é. Hoje tem muito mais campo para esse tipo de narrativa, é uma pauta importantíssima em qualquer lugar do mundo. Na época em que montei, essas coisas ainda estavam muito diluídas”, explica Edwin Luisi.

Sozinho em cena, Edwin Luisi dá vida a 20 personagens que atravessam a trajetória de Charlotte, entre eles, seu pai, seu amante, oficiais nazistas, o próprio dramaturgo Doug Wright e outras figuras que fizeram parte de sua história. Baseado em uma série de entrevistas concedidas por Charlotte ao autor Wright, o espetáculo acompanha uma trajetória individual para iluminar também os mecanismos de opressão e, sobretudo, a força da resistência. Charlotte não é apresentada como uma heroína clássica, mas como alguém que escolheu existir plenamente, mesmo quando o mundo insistia em negá-la.

“O espetáculo não segue uma cronologia, vai e volta no tempo. Esta é a mágica do teatro, porque ela [Charlotte] faz todos os personagens citados nas entrevistas. O ator que vive a Charlotte e que vive o Doug, os dois estão em cena, e ela vai vivenciando as histórias das pessoas que passaram por sua vida”, comentou Edwin Luisi.

Para Edwin Luisi, a preparação de cada personagem começa pela observação e pela pesquisa. Cada figura exige um caminho diferente, a partir da compreensão de sua história, comportamento e maneira de pensar. “Procuro entender profundamente quem é aquela pessoa, sua história, seu comportamento, sua maneira de pensar e, a partir daí, encontrar no meu corpo e na minha voz os elementos que possam revelar esse universo”.

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“A voz, o corpo, o ritmo, o olhar e até a respiração são ferramentas fundamentais. Mas acredito que o mais importante é não ficar apenas na caracterização externa. É preciso encontrar a verdade daquele personagem, porque é ela que faz com que as diferenças sejam percebidas pelo público de uma maneira orgânica”, acrescenta.

O ator também destaca o momento de maturidade artística que vive após mais de cinco décadas de carreira. “Tenho uma história de muitos anos na profissão, com personagens, experiências e aprendizados muito diferentes, e hoje sinto que consigo aproveitar tudo isso com uma maturidade artística maior. Estar novamente em cena, encarando um trabalho tão desafiador e tendo a oportunidade de dialogar com o público de maneira tão direta, é um privilégio. Então, mais do que dizer que estou vivendo um momento magnífico, eu diria que estou vivendo um momento de muita gratidão, realização e liberdade artística”.

A encenação privilegia o trabalho do ator. Sozinho em cena e sem recorrer a grandes artifícios, Edwin constrói as diferentes figuras por meio da voz, do corpo, dos gestos, dos ritmos e dos detalhes de cada personagem. “Tive de buscar vozes, tipos, tiques, características próprias de cada um”, disse o ator.

Herson Capri dirige a nova montagem e privilegia, mais uma vez, o trabalho de ator. O diretor já havia trabalhado com Edwin em 1975, em São Paulo, em uma montagem de “Ricardo 3º”, dirigida por Antunes Filho. Os dois voltaram a se encontrar no Rio de Janeiro em outros quatro espetáculos, também como atores. Em 2007, Herson aceitou o convite de Edwin para dirigir a primeira montagem de “Eu Sou Minha Própria Mulher”.

“No monólogo, é o ator que comanda, e Edwin está brilhante. É de um talento imenso, tem recursos de interpretação fantásticos e, ao mesmo tempo, é empenhado, gosta do ofício e vai fundo no estudo. É um dos melhores trabalhos que já vi na vida”, conclui Herson Capri. Na nova produção, Herson reencontra o espetáculo com uma equipe criativa formada por Marcelo Marques, no cenário e figurino; Aurélio de Simoni, na iluminação; Paulo Arruzzo, na trilha sonora; e Cláudio Andrade, na produção e assistência de direção.

Para o produtor Cláudio Andrade, a nova montagem nasce do desejo de revisitar um trabalho que marcou profundamente a trajetória de Edwin Luisi e que permanece atual. “A ideia nasceu de uma vontade muito forte de revisitar um trabalho que marcou profundamente a trajetória do Edwin Luisi e que, para mim, continua extremamente atual.’ Eu Sou Minha Própria Mulher’ é um espetáculo que fala sobre identidade, liberdade, resistência e sobre a capacidade humana de se reinventar”.

“Quando percebemos que haviam se passado 18 anos, entendemos que não seria simplesmente remontar a peça, mas reencontrar esse personagem e essa história a partir do Edwin de hoje, com toda a experiência e maturidade que ele acumulou ao longo dessas décadas de carreira”, finaliza.

SERVIÇO

Espetáculo “Eu Sou Minha Própria Mulher”

Onde: Teatro FAAP

Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis – São Paulo

Quando: 11 de setembro a 29 de novembro

Horário: sexta e sábado às 20h – domingo às 17h

Quanto: R$ 160 (inteira) R$ 80 (meia)

Classificação etária: 14 anos

Duração: 80 minutos

Informações: através do site

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