A transitoriedade das cidades e as transformações das relações sociais e culturais – a “modernidade líquida”, definida por Baumann – podem ser observadas nas imagens de Gustavo Minas. “Cidades Líquidas”, mostra que inicia em 22 de novembro, na Galeria de Fotos, no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, e que tem curadoria de Rosely Nakagawa e reúne 55 obras do fotógrafo, que retrata o cotidiano dos grandes centros urbanos, com um olhar apurado para a relação do espaço, tempo e o ser humano.
Minas captura minuciosamente várias camadas das realidades, definidas por diferentes necessidades pessoais de múltiplos grupos socioeconômicos. Do homem branco executivo que se fecha em um automóvel de luxo, até a diarista que leva horas para se locomover por meio de transporte público lotado. Dos lugares construídos para garantir, em nome do medo e da segurança, o isolamento e a desumanização nas relações sociais e culturais. Leva em consideração que a cidade contemporânea não tem uma configuração de paisagem única, linear, geral. Clica a pluralidade, acentuada ainda mais pela velocidade tecnológica, como a do uso e da transmissão da imagem como instrumento de comunicação, localização e informação.
“Ele insere seu olhar na percepção de um espaço/tempo cibernético. A experiência de ir e vir é indicada em janelas espelhadas individuais. A realidade presente é a da internet onde quer que estejamos. Conhecemos o lugar pelo link. O sujeito, pelo perfil. As paredes são espelhos, as poucas janelas se abrem para dentro; as portas são túneis de telas planas; as escadas sobem automaticamente para o subsolo. O percurso é um mapa digital, no qual sensores que decidem seu itinerário e indicam que você chegou a lugar nenhum. Suas imagens nos trazem esse desconforto do passageiro no ônibus, que embarca e se senta para ver o sol se pôr nos relógios digitais”, analisa Nakagawa.
As relações visuais entre o lugar simbólico, o ser e o estar, no entanto, são características marcantes do fotógrafo. Um exemplo são os registros feitos em Brasília, que fogem do estereótipo das formas geométricas arquitetônicas e das manifestações e desfiles no Palácio da Alvorada e destacam os tempos fluidos, líquidos. A exposição é uma produção da Holy Cow Criações.
SERVIÇO
Exposição “Cidades Líquidas”
Onde: Centro Cultural Fiesp
Endereço: Avenida Paulista, 1313 – São Paulo
Quando: 22 de novembro de 2022 a 23 de abril de 2023
Horário: quarta a domingo das 10h às 20h
Quanto: entrada gratuita
Informações: através do site